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LONGEVIDADE E PERSPECTIVAS NA ONCOLOGIA

As campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul têm o papel essencial de alertar a população para as doenças oncológicas

27/10/2020 14h30 Atualizada há 4 semanas
Por: Nathália Bonhole Fonte: Edmir Nogueira dos Santos
Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Uninove (Universidade Nove de Julho) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).
Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Uninove (Universidade Nove de Julho) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).

 

                                                       POR: Ramon Andrade de Mello

As campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul têm o papel essencial de alertar a população para as doenças oncológicas. A informação é uma ferramenta muito importante para um diagnóstico cada vez mais precoce nessa área, o que é fundamental para o alcance de resultados positivos. O número de pessoas acometidas com algum tipo de câncer deve crescer nos próximos anos tanto no Brasil como no mundo. O aumento pode ser creditado por vários fatores como o envelhecimento da população, crescimento do diagnóstico, quando um maior número de pacientes procura os sistemas de saúde, entre outros.

As projeções do Instituto Nacional e Câncer José Gomes da Silva (Inca) estimam a ocorrência de 625 mil casos novos da doença no triênio 2020-2022, e 450 mil excluindo os casos de câncer de pele não melanoma (177 mil registros). Em seguida, vêm os cânceres de mama e próstata, ambos com expectativa de 66 mil diagnósticos no período. O levantamento do instituto prevê ainda 41 mil ocorrências de câncer de cólon e reto, 30 mil de pulmão e 21 mil de estômago. No mundo, o câncer já se tornou o principal problema de saúde pública e figura entre as quatro causas de morte mais frequentes antes dos 70 anos de idade.

Um diagnóstico de um tumor oncológico não é uma sentença de finitude. Muito pelo contrário. Os pacientes brasileiros já podem ser diagnosticados e tratados com procedimentos e medicamentos usados em países desenvolvidos. O sistema de saúde pública conta com uma rede de atendimento que, apesar das dificuldades, consegue prestar assistência a uma parcela significativa da população.

Cientistas de todo mundo têm realizado estudos na busca de novos medicamentos e procedimentos cada vez menos invasivos. A nanotecnologia é um dos exemplos, assim como a imunoterapia e a terapia alvo. Se por um lado teremos um crescimento do número de casos oncológicos, também estamos aumentando as possibilidades de uma abordagem mais ampla e com melhores resultados.

Concomitantemente, a população informada tem condições de reduzir os fatores de risco que podem levar às doenças oncológicas. No caso do câncer de pele, evitar a exposição demasiada ao sol e aplicar protetor solar são atitudes para ensinar as crianças. O uso de tabaco é o principal fator de risco para pessoas com câncer de pulmão e esse é um vício que precisa ser extinto. Uma alimentação pobre em fibras e com baixo consumo de água, mas rica em alimentos industrializados e ultraprocessados pode aumentar a propensão para o câncer de cólon e reto. O estresse e a hereditariedade também devem ser levados em consideração quando falamos de fatores de risco.

Assim como há 50 anos contávamos com poucas ferramentas para diagnosticar e tratar das doenças oncológicas, o futuro traz otimismo ampliando a abordagem e o alcance de resultados positivos. Mas é preciso cuidar do dia a dia, buscando reduzir os riscos associados aos hábitos não saudáveis. Uma vida longeva e com qualidade de vida é uma possibilidade cada vez mais presente para todos.

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