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A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA COMO REALMENTE ACONTECEU: PROF. CESAR MOTA EXPLICA

Você sabia que por 104 anos a República brasileira foi provisória?

16/11/2020 07h35 Atualizada há 3 semanas
Por: Carlos Roberto Francisquini Fonte: Prof. Cesar Mota
Professor Cesar Motta. Foto: Arquivo Pessoal
Professor Cesar Motta. Foto: Arquivo Pessoal

A história que vou contar agora NÃO vai cair no ENEM ou em outros concursos que você fizer por alguns motivos, um deles é porque nunca te ensinaram história assim, outro é porque essa história você não encontra nos livros didáticos e porque a Proclamação da República só aconteceu devido ao primeiro Fake News (notícia falsa) da nossa História Contemporânea. Você sabia que por 104 anos a República brasileira foi provisória? Então agora seja bem vindo (a) ao mundo do conhecimento.

 

Sexta feira, 15 de novembro de 1889, 6 horas da manhã.  Deodoro doente é acordado por sua esposa Mariana dizendo ter umas pessoas lhe chamando;

- Eles querem que você saia, mas Manuel volta pra cama, você não está bem! Como Manuel era muito teimoso, saiu da cama e deu nisso, o Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, mesmo doente acabou proclamando a República no Brasil. Com certeza foi um golpe militar. Por quê? Porque quando uma guarnição militar sai da caserna às 6 horas da manhã armada de canhões e derrubam um regime constitucional só tem um nome: golpe militar. O que pouco se comenta era que Deodoro da Fonseca era monarquista, tanto que 60 dias antes do golpe Deodoro comenta: “Ruim com a monarquia, pior sem ela”! Pra você ter uma ideia, o Brasil império era uma superpotência (a 3º economia do mundo), tínhamos a 2º moeda mais forte do planeta, nossa Marinha de Guerra era umas das mais temidas e equipadas de todo o globo, a religião oficial do Estado era o Cristianismo, o Rio de janeiro era considerado a Paris das Américas; tínhamos uma escola literária e musical admirada em todo o mundo. Dom Pedro era tão admirado como estadista, que há cartas de americanos pedindo que ele anexasse o Sul dos Estados Unidos ao Brasil.

 

À proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil. Tenho que salientar que neste ato, Deodoro da Fonseca derruba não o imperador, nem a monarquia, mas sim o ministro Visconde de Ouro Preto que era presidente do Conselho de Ministros e simultaneamente ministro da Fazenda. Deodoro volta pra sua casa, se deita de novo, até a visita de Quintino Bocaiuva (jornalista e autor da primeira Fake News da história do Brasil) e o militar  Benjamin Constant que trazem noticia de quem seria o novo Ministro, Gaspar Vieira Martins, o cara que Deodoro mais odiava. Vou explicar o porquê dessa desavença (em 1886, Deodoro assume a Presidência do Rio Grande e Gaspar Vieira Martins mandava na província gaúcha há vinte anos e tinha fama de mulherengo, saia com um monte de mulheres e tinha saído com a mulher que o Deodoro mais desejava, mas que não quis sair com Deodoro, por isso Deodoro odiava Vieira Martins). Deodoro então fica exaltado e grita; Isso é verdade? Bocaiuva e Benjamim confirmam que sim, (mas era mentira, ainda não havia sido nomeado outro ministro). Então Deodoro diz: Digam ao povo que a República está feita! Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Fazia parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como Presidente da República e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk. A perda de Prestígio da Monarquia Brasileira se deu por alguns fatores; os grupos conservadores pelos sérios atritos com a Igreja Católica (na "Questão Religiosa"); pela perda do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura, ocorrida em 1888, sem a indenização dos proprietários de escravos. Mas como falar em Republica se os republicanos no Brasil eram pouquíssimos, fracos politicamente e todos eram escravocratas.  Em 3 de dezembro de 1870, com o manifesto republicano é que tem inicio a propaganda republicana. Em 1873 teve em Itu, a convenção republicana e depois elegeu Campos Salles e Prudente de Morais. Ai vem um problema, com a Proclamação da República, quem seriam os governadores da Republica se não havia republicanos na grande maioria das províncias? Bom e como esse novo regime se consolida:

 

Decreto nº 1, de 15 de Novembro de 1889;

Proclama provisoriamente e decreta como forma de governo da Nação Brazileira a Republica Federativa, e estabelece as normas pelas quaes se devem reger os Estados Federaes.

 

O Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brazil decreta:      

Art. 1º. Fica proclamada provisoriamente e decretada como a fórma de governo da nação brazileira - a República Federativa. (porque provisoriamente?) Por que o povo iria, através de um plebiscito popular, decidir se seria República ou Monarquia. De fato o plebiscito foi feito, só que em 1993, 104 anos depois, portanto durante 104 anos essa República foi provisória.

 

     Art. 2º. As Províncias do Brazil, reunidas pelo laço da federação, ficam constituindo os Estados Unidos do Brazil até a Constituição de (1967), depois Republica Federativa do Brasil.

 

O Brasil poderia ter seguido outro caminho, o terceiro reinado, tendo como chefe de Estado a Princesa Isabel. Mas um imperador cansado e um marechal vaidoso contribuíram para o fim da monarquia e o inicio da República, salientando que nunca tivemos uma república plena, estamos construindo, em um longo processo, uma República.

 

O CONHECIMENTO LIBERTA!

 

Bibliografia: • Os Militares e as Repúblicas - Celso Castro • A Proclamação da República - Celso Castro • O Diário de Bernardina - Celso Castro e Renato Lemos • Benjamin Constant Vida e Historia - Renato Lemos • Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República   que Não Foi - José Murilo de Carvalho • A Formação das Almas - José Murilo de Carvalho • Brasil: Uma História - Eduardo Bueno.

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