
Dr. Miguel Dinizo, jovem recém-formado médico, aqui chegou quando nossa provinciana cidade começava a se arranjar, isto lá pelos anos de 1937. Só para lembrar aos desavisados, estávamos, nesta época, à beira do início da 2ª grande guerra.
Nesta época, Cambará ainda era “virgem” e suas terras férteis estavam a espera da semente do progresso. Está lá, nos anais da história: Cambará a Porta de Ouro do Paraná. Alias esta é também mais uma das boas coisas herdadas de Dr. Miguel Dinizo. É dele a celebre frase.
Lamentavelmente os livros didáticos dão pouca ênfase sobre as histórias de nossos lideres políticos locais, por esta razão, é natural que pouca gente saiba que Dr. Miguel Dinizo é paulista e tenha nascido na cidade de Itatiba, região de Campinas no interior do Estado de São Paulo. Foi lá que ele formou-se médico, com objetivo de exercer a profissão. Certa vez, ele próprio me confidenciou que a política não estava em seus planos, e que só mudou de ideia depois que conheceu este pedaço de chão chamado Cambará. Arrisco-me a dizer que Dr. Miguel tenha sido o prefeito mais apaixonado por Cambará que a história registrou. Era quase uma devoção.
Uma das particularidades de Dr. Miguel era o seu discurso convincente. Sem exagero, digo que a medida que iniciava sua fala ficava evidente que estava discursando com palavras que lhe saiam do coração. Falava de uma terra próspera e que para se alcançar os objetivos comuns eram necessários traçar novas rotas e oportunizar ao recém município à novos horizontes.
A propósito, devo admitir que Dr. Miguel era um orador eloqüente, logo, sua sensibilidade foi percebida pela área política local que o levou para as fileiras partidárias. O responsável foi Elias Defune, então presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) que tratou de atraí-lo para comandar a política cambaraense. Dito e feito.
Dr. Miguel se enfileirava nas trincheiras da política, levando consigo mais que a bandeira e as cores do PTB. O Dr. Miguel carregava a força e o idealismo de um jovem sonhador, a propósito, atitude rara de se ver nos dias atuais.
Nem pense que foi fácil, acredito que foi até bom que não tenha sido, pois a amarga derrota no primeiro pleito serviu-lhe de aporte para novas batalhas e o tornou ainda melhor.
Vale lembrar que o jovem Dr. Miguel enfrentou nada mais nada menos que o respeitado Otávio Rodrigues Ferreira, quase um coronel, líder da temida UDN - União Democrática Nacional.
Foi uma disputa daquelas...
Depois do pleito, Cambará foi governada por Otávio Rodrigues Ferreira entre os anos de 1952 e1956.
Quatro anos mais tarde, Dr. Miguel, volta às trincheiras e dá o troco, e venceu com folga seu adversário Benigno Bittencourt de Moraes da UDN apoiado pelo seu algoz Otavio Rodrigues Ferreira, que até onde se tem notícia, ficou possesso com o resultado das urnas.
Começava assim a era Dr. Miguel Dinizo, que governou Cambará pela primeira vez entre os anos 1956 à 1960.
É, sem exagero, a melhor referencia política da história de Cambará.
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Muito bem...
Em tempos de eleições municipais a política é assunto certo nas rodas de bom papo. Outro dia me peguei falando de Dr. Miguel Dinizo, o que me motivou a escrever este artigo. Estava eu descrevendo algumas curiosidades do Dr. Miguel. Lembro que sendo ele o Prefeito de Cambará, quando de suas viagens à Curitiba para atender aos interesses da cidade, não raro abastecia o carro com o dinheiro do próprio bolso.
Outra curiosidade deste grande administrador era que ele não fazia compras a prazo. Para nomear um funcionário, só se fosse muito necessário. A austeridade com os gastos era o seu forte. Era um administrador à moda do seu líder maior Getúlio Vargas. A palavra “dívida” não constava em seu dicionário. Não se relacionava com amigos ou parentes que forneciam a prefeitura. Era honesto e fazia questão de parecer honesto. Sua administração podia ser contestada, mas a sua honestidade não. Quando, ao deixar a Prefeitura, indicou, para suceder-lhe, um homem da sua retidão. Indicou o mineiro Thomé Pimenta Neto. Homem correto, de responsabilidade e honrado e que media as palavras que iria falar, porém, nós optamos pelo emergente médico Dr. Milton Paschoalino, que como já escrevi em outra crônica, tornou-se um dos homens ricos de Cambará e, a seqüência, foi uma constante e este, como Prefeito, por desaforo, vendeu o Cine Casablanca, o orgulho do Dr. Miguel e do povo.
O Dr. Miguel, jamais esquecido, foi eleito prefeito por mais um período de 1979 à 1985, antes assumiu uma cadeira na Assembleia Legislativa e por um gestão, de 1960 à 1964, foi o Deputado Estadual de Cambará e da região norte do Paraná. Dr. Miguel, muito trabalhador e com vida simples aqui morreu, deixando para sua filha Mariza e para seu filho Paulinho um sítio e o prédio que abriga o Hospital Municipal de Cambará, hoje patrimônio do município.
As lições que tiramos disto é a seguinte: Ele nos deu o rumo, mas nós não lhe demos atenção e até hoje, as transformações foram bem poucas. Uma pena...