

Cambará
C. Roberto Francisquini - Fotos: Adriane Santos
Homossexualidade em pauta
Confira abaixo a íntegra do depoimento de Ricardo Kaimi Fritegotto que diz ter tirado um peso de suas costas ao falar do assunto com a família. Na visão do estudante de psicologia, a informação e o diálogo são a melhor forma de lidar com a situação. “Em cinco minutos, conversei com meus pais, coisa que nunca havia feito antes. Estou feliz por eles me aceitarem do jeito que sou” disse. Ricardo explicou que resolveu levar sua história a público para tentar ajudar pais e filhos a encontrarem o melhor caminho para viver em harmonia.
A “descoberta” sobre minha orientação sexual aconteceu com 14/15 anos, quando fiquei com o primeiro menino e tive certeza que era homossexual. Digo “descoberta” entre aspas, pois não há uma descoberta em si, já nascemos assim, e a demora por essa aceitação se dá devido à repressão familiar e da sociedade que insiste em pregar o que é certo e errado. Aproximadamente com a idade de12 anos, meus pais desconfiaram e resolveram me levar a uma psicóloga por ser muito retraído e “rebelde” (cabelos diferentes, roupas exageradas etc), que, por falta de vínculo, não conseguiu diagnosticar minha sexualidade e pediu pra que me masturbasse pensando em uma amiga. Vomitei. Desde então fui levando e sendo levado pra debaixo do tapete sempre que o assunto era sexualidade.Namorei garotas, me ‘apaixonei’ por elas, mas tudo por questão de orgulho, porque minha prioridade era ver meus pais orgulhosos, então o fiz, até que em um momento comecei a me sentir vazio, frio e desanimado, não tentei me matar, mas me torturava toda noite pensando em como explicar algo pros meus pais que eu mesmo não conseguia, e que, convenhamos, é bem pior que suicídio. Em uma das tentativas de me explicar, ouvi de meu pai que se me visse com um garoto, ou ele me mataria ou mataria o garoto, engoli seco. Foi uma tortura ver meu pai, que amo tanto, decepcionado e zangado daquela maneira, tentei evitar ao máximo tocar no assunto.Querendo ou não, algumas experiências ruins geram traumas que nos bloqueiam pra qualquer outra experiência, então fui me retraindo e comecei a me sentir sufocado, precisava colocar outra prioridade, que no caso era meu próprio bem-estar, pois daquela maneira eu afastava meus pais, meus amigos e todos que me amavam. Adotei o “narcisismo”, e assim comecei a me aceitar, me amar, aos poucos fui me assumindo pra algumas amigas fiéis que me aceitaram e me fizeram gerar certa segurança que eu ainda tinha esperança de sentir com meus pais, essas experiências foram me motivando e me fazendo perceber que se eu não fosse feliz da minha maneira, ninguém o faria por mim. Com toda essa liberdade pessoal sendo conquistada, conheci vários garotos, mas ainda assim (tentando satisfazer meus pais, inconscientemente) não conseguia manter nenhuma relação por mais incrível que tal garoto fosse, eu sempre encontrava algum defeito, ou qualidade que transformava em defeito. Minha relação com meus pais sempre foi ótima, mas nunca nos sentíamos à vontade pra falar sobre sexualidade, tanto que terminei o colegial calado e entrei pra faculdade mudo.Precisei de apenas 5 meses de calouro pra perceber quantas coisas, pessoas, “mundos” diferentes eu poderia tomar conhecimento se me aceitasse e o quanto perderia se não, então resolvi

me dar essa chance, parei de levar as coisas tão a sério e resolvi ser eu mesmo. Me apaixonei por essa sensação de estar livre, de expressar o que realmente sentia, de ter minhas próprias obrigações que, de alguma maneira, faziam me sentir “normal”.No decorrer da faculdade, conheci um garoto pelo qual me apaixonei, mas que me pressionava para apresentá-lo aos meus pais, me colocou um limite de perdê-lo se não o apresentasse, e como não tinha muito diálogo com meus pais, não apresentei. Quem perdeu foi ele, mas deixa pra lá (rs), essa experiência me fez tomar consciência de que eu poderia perder coisas bem mais importantes se não mantivesse um diálogo básico com meus pais. Então resolvi buscar ajuda e ir para outra psicóloga que, em apenas 3 sessões, me fez perceber que para um diálogo acontecer você precisa dar liberdade pra ter liberdade. Foi o que fiz, sentei com meus pais e tivemos uma conversa geral, sobre sexualidade, drogas, deveres e obrigações, enfim, o que não tínhamos conversado em 5 anos, conversamos em 5 minutos, e foram os melhores 5 minutos que já tive.Não tenho palavras pra descrever o tamanho do orgulho que senti dos meus pais, muito menos pra descrever a felicidade que senti por ouvir um simples “Filho, eu vou te amar pra sempre, do jeito que você for”, não tem nada no mundo que possa pagar essa sensação de liberdade e segurança. Assim, fico imaginando quantos garotos e garotas homossexuais sonham com esse momento com seus pais, mas que não conseguem por medo e insegurança gerada pelos próprios que não sabem como apoiá-los, imagino também quantas pessoas maravilhosas e incríveis alguém preconceituoso deixa de conhecer apenas por ser contra uma simples orientação sexual, e, claro, sonho com o dia no qual qualquer um possa viver uma vida plena se preocupando apenas com suas próprias atitudes e problemas.
Palavra de Pai
Gostaria de começar a falar de meu filho Ricardo Kaimi, que, quando me pediu para dar um depoimento, me veio à memória tudo que já passamos juntos, momentos alegres, tristes, de preconceito, de raiva, de indignação, de rebeldia, o que vocês imaginarem que um pai sonha para um filho, podem ter certeza, comigo não foi diferente, felizmente, percebi a tempo que, ou aceitava meu filho como ele é, ou então o mundo o aceitaria, então resolvi abraçá-lo e deixar que viva a sua vida e sua história. Não adianta querermos sonhar a vida de nossos filhos, estes mesmos é quem precisam vivê-la, portanto, tento dar o melhor exemplo possível a meus filhos e, face a isto, não vejo dificuldade alguma em dizer que hoje ele é um rapaz alegre, feliz, cheio de saúde, e que muitas vezes nossas opiniões não batem, mas meu amor de Pai com toda certeza supera tudo e qualquer situação que possam aparecer, sou muito franco e quero deixar claro que aceito meu filho como ele é (homossexual), minha opinião é minha, a do meu filho é dele, e você que esta lendo esta matéria é sua, portanto, cabe a cada um de nós julgarmos a nós mesmos, e quem não tiver nenhum pecado que atire a primeira pedra, quando estamos falando dos filhos dos outros é muito mais fácil, ou ainda, olharmos o cisco do olho do outro é maior que enxergarmos a trave em nossos próprios olhos.Não podemos julgar um livro pela capa, então, somente conhecendo a pessoa, tendo uma convivência com ela e tentando entender o seu interior, ouvindo o outro lado, podemos tirar nossas conclusões, lembrando dos mandamentos de Deus, “amai-vos uns aos outros”, a nossa vida é voltada para a procura da felicidade, amor e paz, mas sinto que isto, no mundo moderno, muitas vezes é esquecido e se coloca tudo a prova, principalmente posição social, financeira, opção sexual, então seria ,por minha parte, uma ironia mencionar que não vejo diferença em meus filhos, ou seja, que fique claro que o amor que sinto tanto pelo meu filho é igual ao amor que sinto por minha filha Ritiélly. Assim, gostaria de terminar este depoimento dizendo uma frase popular: “Do mundo não tenho tudo, mas amo tudo que tenho”.
Marcelo Fritegotto, pai
Palavra de Mãe
Tudo começou em Agosto de 1994, um filho lindo, desde bebê o chamava de meu principezinho, já sonhávamos com um futuro lindo para ele, porém não imaginamos que passaríamos por tantas coisas, decepções, medo, acontecimentos, superações, porém sempre juntos! Assim, eu como mãe, preocupada em cuidar das coisas que seu filho faz, pra poder orientar, proteger, configurei meu computador pra salvar tudo em uma pasta pra verificar depois com quem conversava, os sites que pesquisava etc. Foram várias noites de sono, tipo uns 8 meses seguidos. Até que uma noite tive um impacto ao ver e ler toda uma conversa. Vi-me sem chão, fiquei muito decepcionada, revoltada, chorei muito, me vi sem ação, falei com o Marcelo sobre, foi um momento muito ruim da minha vida! Conversamos com o Ricardo e ele assumiu tudo pra nós.Eu e o Marcelo tivemos a decisão mais certa, buscamos a Deus e procuramos um Padre, pra nos orientar, pois estávamos perdidos, e não tínhamos muito com quem falar sobre, pois é uma situação delicada, onde só quem passa, sabe! Fizemos o que deveríamos ser feito, Psicólogo, terapia, orações, tudo mesmo! Sem comentar nada com ninguém, às vezes em certas situações me pegava a chorar e foi muito difícil, senti muita falta da “FAMÍLIA” nesse momento. Porém ,estávamos nós quatro e Deus, enfrentamos tudo isso por longos +/- 4 anos. Amo meu filho Ricardo, meu diamante, assim como ele é, com as escolhas que ele fizer, eu estarei aqui pra apoiar e participar de cada vitória dele, confio plenamente nele, sei o alicerce que demos a ele, e caso ele se desvie, temos nossa consciência tranquila, pois eu e o Marcelo temos certeza dos melhores exemplos que ele possa ter, ele tem em casa. Ele é um presente de Deus pra mim, pro Marcelo, irmão, amigo e apaixonado pela irmã, com as escolhas que ele fizer, estaremos sempre aqui! Além dessas qualidades citadas, existem muitas outras que, ao passar dos seus 18 anos, acumulam mais e mais. Não troco ele por filho nenhum nesse mundo e se tivesse oportunidade de escolher ser mãe de outro filho eu escolheria sem dúvida ser mãe dele. E vocês se lembram do futuro lindo que citei no início, pois é ele está por vir eu creio! Apenas tinha que ser assim.E você, Pai e mãe: Passe o que passar com seu filho, tenha fé e não desista, pois ele precisa de você!
Jane Ribeiro Fritegotto, mãe.
Diversidade social na escola
“Pensar a diversidade social por si só, já é questionar o papel de cada homem e cada mulher, suas relações interpessoais e intrapessoais (consigo mesmo), suas ações, sua realidade familiar, a necessidade de mudanças sociais, as condições de vida do coletivo. Enfim, para pensar a diversidade social na escola demanda reaprender a ver a vida, desconstruir paradigmas e superar crenças que determinam nosso modo de viver em um grupo social. Pensar a diversidade social na escola é reaprender a aprender e ensinar, admitir o diverso em suas potencialidades cognitivas e físicas.A diversidade humana, amparada pela Constituição Federal – CF/88, nas Leis n° 11.645/08 (História Afro-Brasileira, Africana e Indígena), m° 11.340/06 (Maria da Penha), nº7.716/89 (Dos Crimes de Preconceitos), n°8.069/90, insurge contra o assédio moral e sexual, contra a discriminação e o racismo, contra diferentes formas de tratamento mas a favor dos direitos humanos. Essa demanda social é o reflexo dos fatos que pontuam a história da humanidade: das torturas e tiranias dos mil anos da Idade Média, das boas intenções do Renascimento, da falta e sensibilidade humana do Iluminismo, da predadora lógica do Capitalismo e da cegueira humana da Globalização.No chão da escola a diversidade social não poderia ser diferente. Espaço para ampliação dos relacionamentos sociais e campo perfeito para descobrir as diferenças entre os indivíduos: as crenças e os valores; para desenvolver o senso de empatia, de bom senso e de senso crítico. Garotos e garotas, um campo rico de diferenças, mas limitado para a diversidade. Um mundo sem precedentes, e novo para os iguais. Um mundo que amplia a possibilidade sócio-humana de se conhecer, e descobrir o diverso humano.”
Prof. Ms. Paulo Fonseca, heterossexual.
HOMOSSEXUALIDADE
O que pensa as pessoas sobre o assunto
"Sexualidade não muda caráter.”
“Ter um irmão homossexual nunca foi um problema para mim, quando eu soube de sua condição, não tive nenhum tipo de reação ruim, muito menos vergonha, na verdade isso até me ajuda um pouco, temos uma relação maior do que o normal, de irmão e amigo(a) ao mesmo tempo. Quando eu preciso falar eu falo, e também escuto. Amo o Ricardo do jeito que ele é, e sempre vou amar. Sexualidade não muda caráter.”
Ritiélly Ribeiro Fritegotto, estudante
"Vejo a homossexualidade como algo tanto quanto normal"
“Sempre tive amigos homossexuais, nunca me incomodei com tal fato, pois vejo a homossexualidade como algo tanto quanto normal, pois o ser humano em toda sua historia e em toda sua vida, busca por prazeres e satisfações, mesmo quando esse prazer (não apenas sexo, mas carinho e afeto) seja por um indivíduo do mesmo sexo. Sendo o mais importante ao meu ponto de vista, buscar ser um ser “congruente por completo”, e não só ao se tratar de mim, mas com o ambiente de pessoas que me cercam, aceitando e as respeitando independendo de sua cor, credo ou opção sexual.”
Kleverton Perassi Rolim, Cambará-PR, 20 anos, estudante de psicologia, heterossexual.
"Sempre usei roupas do estilo masculino e depois da descoberta minha mãe me obrigou a usar roupas femininas"
“Desde criança, sempre que brincava com minhas amigas fazia o papel do menino, como ser o pai da família, etc. Com 13 anos fiquei com a primeira garota e percebi que era homossexual. Tinha medo de contar para minha mãe, que era muito religiosa, pois rotulavam a homossexualidade como um pecado. Como meus pais se separaram e morava apenas com minha mãe, não tive uma conversa pra falar sobre minha sexualidade, pois a cidade que morava é pequena e o assunto se espalhou e fui obrigada a contar para ela sobre pressão. Sempre usei roupas do estilo masculino e depois da descoberta minha mãe me obrigou a usar roupas femininas. Com o tempo, minha mãe foi me aceitando, pois nada, muito menos roupas, mudariam o que realmente sinto, hoje somos muito mais unidas e nos damos muito bem.”
Ana Flavia Ferreira Silvano, São Jerônimo da Serra-PR, 19 anos, musicista e homossexual.
"Homossexualidade não é doença nem opção sexual"
“Partindo do princípio que homossexualidade não é doença nem opção sexual, mas sim uma condição, penso que é, ou pelo menos deveria ser entendida como tão natural quanto a heterossexualidade. Da mesma forma que o adolescente heterossexual naturalmente começa a sentir desejo pelo sexo oposto, os homossexuais sentem atração por pessoas do mesmo sexo.Isso deveria ser visto como normal, porque é normal. As pessoas precisam ver essas relações com naturalidade, precisam parar com essa mania de rotular todos, de querer enquadrar as pessoas em “gavetas”. Precisamos nos importar com o amor por ele mesmo e não com quem esse amor é compartilhado.”
Manuela Beltrami, Ourinhos-SP, 29 anos, Psicóloga e heterossexual.
"Aos 11 anos, sabia que era gay"
“Aos 7 anos na escolinha, enquanto as outras crianças gastavam tempo fazendo castelos de areia, eu subia ate o andar mais alto da torre do parquinho, e observava os garotos e garotas, mas não sabia o porquê de sentir um afeto maior pelos amiguinhos. Aos 11 anos, sabia que era gay e decidi-me questionar como contar isso ao mundo e principalmente pros meus pais, palavras iriam falhar. Foi então que decidi escrever uma carta, com longas páginas aos meus criadores, entre choros e abraços, me acolheram mais do que nunca, e, hoje, com 18 anos, tenho uma vida ótima, bem decidido com minha sexualidade e com minha vida social. Tenho respeito de muitos por ser quem sou e praticamente não sofro nenhum tipo de agressão moral, até porque quando acontecer, sei muito bem me defender, afinal, antes de tudo eu sou um homem!”
Maicon Vilella Soares, Ourinhos-SP, 18 anos, maquiador e homossexual.
"Minha mãe descobriu lendo o histórico de uma conversa minha pelo MSN"
“Descobri minha sexualidade aos 14 anos, entretanto só fui me aceitar homossexual aos 17 anos quando me interessei pela primeira garota. Tive problemas em me aceitar homossexual por medo do que minha família pensaria e como reagiria. Minha mãe descobriu lendo o histórico de uma conversa minha pelo MSN Messenger com uma ex-namorada, sua reação foi a pior possível, em dois dias ela se mudou da minha casa e foi morar sozinha, quem me apoiou foi minha irmã mais velha que me aceitou e me entendeu. Minha mãe nunca conversou comigo sobre o que aconteceu ou o que pensou quando descobriu tudo, mas atualmente nos damos bem e ela aceita meu relacionamento atual, naturalmente.”
Elaine Santos, Ourinhos-SP, 26 anos, estudante de RH, homossexual.
"Esquecemos-nos de valorizar o que realmente importa na vida: caráter, dignidade, afeto e lealdade"
“Quando nos deparamos com algo que não conhecemos completamente e não entendemos como surgiu, temos o instinto de reagir negativamente. Generalizamos algo se baseando por fatos isolados, ninguém escolhe sofrer preconceito, escolhemos os nossos caminhos em busca da felicidade, nascemos com algumas escolhas feitas, e a opção sexual, a meu ver, é uma delas. Esquecemo-nos de valorizar o que realmente importa na vida: caráter, dignidade, afeto e lealdade. Levamos em conta a carapuça que vestimos e não o que nos torna especial, o interior. Ninguém é obrigado a aceitar tudo, mas todos têm o dever de respeitar e conviver com as diferenças.”
Débora Domingues, Cambará-PR, 26 anos e heterossexual
"Não tenho vergonha da minha história e muito menos de quem sou"
Aos 16 anos tive certeza que era gay ao beijar o primeiro menino, não significa que a partir dali eu me tornei gay, mas foi o momento que me fez ter certeza e esclareceu minhas dúvidas que desde criança me faziam questionar o que acontecia comigo. A partir de então me sentia preparado e pronto pra viver de acordo com quem eu era de verdade e em seguida numa situação da vida acabei assumindo aos meus pais que era gay. Foi um momento delicado e um tanto quanto doloroso, pois sofri certo preconceito por parte de minha própria mãe. Nunca precisei ou exigi aceitação, pois eu mesmo aceito quem sou, mas sempre quis ser respeitado. Me comprometi a provar para as pessoas que eu amava e para o resto do mundo que ser gay não é defeito. Atualmente tenho uma relação ótima com meus pais, não tenho vergonha da minha história e muito menos de quem sou, não me arrependo da forma como agi nem das atitudes que tive que tomar. É preciso ser muito homem pra ser gay e se tenho pessoas ao meu lado é justamente por ser quem sou. Porque me amam e me respeitam da minha maneira.
Valter Vieira Scarpelim, Salto Grande – SP, 21 anos e homossexual.