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23 de Outubro Dia da Aviação: Cambará viveu esta magia

Colunista do Circulandoaqui fala sobre o assunto

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
23/10/2013 às 10h42 Atualizada em 23/10/2013 às 10h55
23 de Outubro Dia da Aviação: Cambará viveu esta magia

Em primeiro plano na foto, Carlos Gnaspini, no auge de seus doze anos, ladeado pelas beldades da época, degustou os tempos áureos da aviação cambaraense, ocasião em que o aéreo clube municipal, era freqüentado por gente bonita da sociedade local.


 

 

Hoje se comemora o Dia da Aviação e para celebrar a data o Circulandoaqui relembra, num texto de Carlos Gnaspini, os tempos aureos do Aeroclube de Cambará.

Abaixo, a íntegra do texto publicado pelo colunista Carlos Gnaspini em sua coluna Memórias

Você quer arriscar?

 

Pelos idos de 1953, o Aero Clube de Cambará já se encontrava desativado, mas dos quatro aviões existentes ali, um foi deixado uns tempos a mais, pelo DAC, talvez para adornar o hangar onde, anos antes, haviam sido brevetadas várias turmas de pilotos.

A imagem revela o piloto Yeyé com a elegante Terezinha do Alencar, uma de suas fãs.

Há relatos de que Terezinha tenha sido o grande amor do Piloto.


 

 

Desse saudoso espólio também sobrou, em Cambará, o piloto José Gnaspíni, apelidado de “Ieié” que fora brevetado sob o comando do instrutor cambaraense Nakaóka no ano de 1947 e que era solicitado para algumas viagens inusitadas. Vamos falar desse avião: O empresário Francisco Baby Pignatari começou a produção de aviões no Brasil em 1940. Graças às suas indústrias em Santo André, teve aval do governo para a criação da CAP- Companhia Aeronáutica Paulista. O maior sucesso foi o modelo “Paulistinha”, cuja produção chegou a uma unidade por dia, em 1943. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o Ministério da Aeronáutica suspendeu o apoio e a produção parou em 1948. E esse que estava em Cambará, era vermelho, modelo “Paulistinha”, CAP 4, para treinamento, motor com 90 HP, com duplo comando, pedais na frente e atrás. Painel com instrumentos só na frente, com quatro tipos de aparelhos: o relógio da pressão do óleo, o relógio da temperatura, a bússola e o altímetro. Numa noite, chega ao restaurante do Gnaspini, o Edgar Ribeiro Lamparelli e pede ao “Ieié” para levá-lo a Mococa (SP), que fica na divisa com Minas Gerais. Como tinha sido o “Ieié”, o último a usar o avião, ele sabia que o combustível não era suficiente para chegar a Bauru que era a primeira cidade com recursos, na rota, para abastecimento. Nisso, o Edgar que tinha apelido de

“Moquinha”, explicou que necessitava da sua certidão de nascimento, para, com ela, inscrever-se no concurso para o Banco do Brasil que estava pra encerrar. No dia seguinte, foram para o campo, “Ieié” e “Moquinha”, sabendo que o combustível não dava, mas ambos prontos para viajar. De fato, a vareta de combustível do “Paulistinha” não recomendava essa empreitada. O “Moquinha” voltou a explicar que precisava da sua certidão de nascimento para se inscrever no concurso do Banco do Brasil. O “Ieié”, sobrevivente de quatro acidentes aéreos nos “Paulistinhas”, falou: “Você quer arriscar?”. O “Moquinha”, desempregado e brigado com a namorada, respondeu: “Pior do que tá, não fica. Vamos!”. E lá se foram: “Paulistinha”, “Ieié” e “Moquinha” para a cabeceira da pista. O CAP 4 correu frio no chão e foi esquentar o céu. O “Moquinha” estava de terno de linho branco. Eles passaram por cima de Cabrália Paulista e a viagem transcorria terrivelmente normal, quando tiveram duas surpresas. Uma boa e uma má. A boa é que avistaram Bauru e a má é que o avião tossiu. O “Ieié”, muito experiente, tinha levado o avião bem alto e de lá, conseguiu avistar uma plantação de batata. O recurso estava ali. Quando virou para ver se o “Moquinha” estava bem afivelado no cinto de segurança, viu que não era só o terno que estava branco. Seguuuura peão!!! O trem de pouso ficou pra trás, mas nenhum arranhão. Retornando a Cambará, num caminhão que parecia mudança de um parque de diversões, na cabina, o motorista, o “Ieié” e o “Moquinha”, este com o terno já não lembrando mais aquele terno da ida e na carroçaria, o agora inútil CAP 4. Quando, novamente, abriu inscrição do Banco do Brasil, o “Moquinha” não quis inscrever-se. Lembrou da certidão de nascimento. E assim se foi o último avião do Aero Clube de Cambará.

Ai, que saudades...

Muito cobiçado, Yeyé sempre estava rodeado de suas fãs.



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