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A cor da garrafa interfere no sabor do vinho?

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
17/06/2012 às 19h33 Atualizada em 22/06/2012 às 17h08
A cor da garrafa interfere no sabor do vinho?

 

Foto: Andrew Beierle

 

 

VINUM ANIMI SPECULUM

Um papo sobre vinhos

Por Guilherme Lopes Mair

 


A COR DAS GARRAFAS

 

 

Em tempos em que se vê vinho embalado em “Bag-in-Box” (bolsa de material plástico ou metálico acondicionada numa caixa de papelão ou material similar, com uma válvula que permite servir o vinho), em garrafas plásticas e até em lata, as garrafas de vidro ainda ostentam sua supremacia no mercado.

 

Mas nem todo mundo se dá conta dos efeitos que as cores das garrafas podem exercer sobre o vinho.  A questão não é meramente estética, pois a cor do vidro influi consideravelmente na quantidade de luz que atinge o vinho. E a luz, particularmente os raios UV (ultravioleta), são nocivos ao vinho, acelerando demasiadamente seu envelhecimento e podendo mesmo estragar o vinho, liberando compostos sulfurosos, causando sabores nada agradáveis. Estudos realizados pela empresa britânica WRAP (Waste & Resources Action Programme) indicam que a luz mais deletéria ao vinho (que carregam os raios UV) provém de ondas cujo comprimento é menor. A maior parte dos produtores utiliza garrafas verdes. Apesar disso, essa cor não se mostra a mais eficaz na proteção ao vinho contra os raios nocivos. Ainda segundo os estudos da WRAP, o vidro incolor deixa que algo em torno de 90% dos raios com 350nm (comprimento de onda, em nanômetros - bilionésima parte de um metro) alcancem o vinho. O vidro verde, por sua vez, permite que cerca de 70% dos raios com 370nm o atinjam. Já o vidro âmbar (um amarelo bem escuro, mais para o marrom), mostra-se como o mais eficiente, praticamente impedindo que esses raios, de pequeno comprimento, cheguem até o vinho.

 

E o famoso “vinho da garrafa azul”? Se você tem mais de 30 anos, deve se lembrar do vinho alemão – de qualidade pra lá de sofrível, diga-se - que infestou o mercado brasileiro na década de 1990: o Liebfraumilch (leite da mulher amada, em alemão). Quem não bebeu esse vinho numa festa ou num casamento, que atire a primeira pedra! Hoje em dia, há pouco uso de garrafas dessa cor, até pelo preconceito do mercado.

 

Voltando ao tema principal: um fato curioso que os estudos revelaram consiste em que, ao contrário do que se poderia imaginar, a grossura do vidro da garrafa, embora tenha alguma influência, não tem uma importância tão grande na capacidade de impedir a entrada da luz nociva, ao menos proporcionalmente. Para se ter uma idéia, ao se diminuir em 20% a espessura do vidro, ocorre a perda de apenas 6,7% desse poder filtrante da garrafa.

 

Portanto, agora que você já tem uma noção sobre os efeitos da luz sobre o vinho, evite comprar vinhos inadequadamente expostos e depois de comprados, protejam-nos! Não é por acaso que o interior de um guarda-roupas pode ser o substituto para uma adega! 

 

  www.umpaposobrevinhos.com.br


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