

Santo Antonio da Platina
Fábio Antonio Gabriel*
No dia de finados somos convidados a pensar na nossa própria vida e no sentido que a ela atribuímos. Temos tantos e tantos objetivos, metas, projetos, mas, diante da morte, resta-nos perguntar: afinal, qual é o objetivo maior da nossa existência, se tudo é tão transitório e fugaz? Talvez o imperativo da popular música “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” pudesse ajudar-nos a pensar na importância do quanto
muitas vezes vivemos como se a nossa vida terrena fosse se perpetuar eternamente, quando, na verdade, estamos nesta vida de passagem apenas.
Para aqueles que não creem em outra vida, a existência ganha outra dimensão, torna-se um fim em si mesma: todavia, para aqueles que creem em uma vida transcendente, esta vida representa apenas um momento que antecede a uma outra existência que enfrentaremos depois desta “passagem”. Todavia, ambos os grupos de pessoas precisam concordar que o amor permite-nos manter vivos no coração aqueles que partiram e deixaram registros indeléveis em nossa existência.
O filósofo existencialista, Gabriel Marcel, afirma: “amar é dizer: tu não morrerás”. Quando amamos alguém, essa pessoa permanecerá sempre viva em nosso coração e em nossa memória. Diante da efemeridade da vida, assim, por que não perdoar aqueles que nos ofenderam? Por que não pedir perdão para alguém que magoamos com uma palavra mais ofensiva? Por que não elogiar aquele nosso colega de trabalho que tanto admiramos, mas não damos o braço a torcer e não manifestamos admiração? Por que não maridos presentearem esposas com flores? Pensar no dia de finados e lembrar daqueles que partiram é a oportunidade de repensar a própria vida. Afinal, como já dizia o filósofo Sócrates, “uma vida que não é examinada não merece ser vivida”.
*Fábio Antonio Gabriel, professor de filosofia e escritor,