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VINUM ANIMI SPECULUM – Um papo sobre vinhos

ENÓLOGO, ENÓFILO OU SOMMELIER?

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
18/04/2012 às 16h38 Atualizada em 18/04/2012 às 16h44
VINUM ANIMI SPECULUM – Um papo sobre vinhos
Foto: Dani Simmonds

A profissão foi regulamentada no Brasil em 2011, mas a lei, depois de passar por alguns vetos (foram retiradas as normas que tornavam obrigatória certificação para se poder exercer a profissão), não resolveu muita coisa.



Por incontáveis vezes fui chamado de enólogo ou sommelier por amigos, ao se referir ao fato de eu gostar de vinho ou por escrever sobre ele. E sempre digo que sou apenas um enófilo. Mas isso não costuma resolver a questão, pois ainda restam dúvidas sobre as diferenças entre uma coisa e outra. Há pouco mais de 5 anos, publiquei aqui uma coluna sobre essas diferenças. E as constantes dúvidas sobre o tema me levam a voltar a ele, até mesmo para trazer algumas atualizações. Em 2007, a profissão do enólogo foi regulamentada no Brasil pela lei 11.476. Na época da publicação da lei, alguns amigos me saudaram pela “regulamentação da profissão de enólogo”.

 

De acordo com a lei, o enólogo precisa ter curso superior em enologia (ramo da ciência cujo objeto de estudo é o vinho). Também foi prevista uma regra de transição, em que aqueles que tivessem diplomas de nível médio em enologia expedidos no Brasil por escolas oficiais ou reconhecidas pelo Governo Federal até 23 de dezembro de 1998, data a partir da qual houve o reconhecimento pelo Ministério da Educação do curso de tecnólogo em viticultura e enologia e a formatura da primeira turma de tecnologia em viticultura e enologia. A lei prevê uma extensa lista de atividades a serem exercidas pelo enólogo, sendo ele responsável pela produção do vinho, desde o acompanhamento da videira no campo, passando por todos os processos produtivos envolvidos, avaliando sempre os aspectos técnicos dessa produção, até que se chegue, finalmente, ao vinho. O técnico em enologia, cuja atividade igualmente foi prevista nessa lei, precisa ter formação específica em nível médio. O técnico pode realizar praticamente todas as atividades desenvolvidas pelo enólogo. Há duas exceções: exercer a responsabilidade técnica pela empresa vinícola, seus produtos e pelos laboratórios de análise enológica; executar perícias exigidas em processos judiciais a título de prova e contraprova.

 

Numa analogia simplória, pode-se dizer que o enólogo está para o cineasta assim como o enófilo está para o cinéfilo. E o que vem a ser enófilo? Bem, o enófilo consiste no apreciador que procura conhecer o vinho e que, via de regra, é um entusiasta da bebida de Baco. Há quem defenda a classificação dos enófilos em duas espécies, quais sejam, o amador e o especialista. O primeiro, como o próprio nome sugere, possui um conhecimento mais superficial acerca do assunto. O especialista, por sua vez, possui um grau de aprofundamento considerável. De qualquer modo, mostra-se notório o fato de que a imensa maioria dos enólogos (para não dizer a totalidade) são enófilos. Mas são poucos os enófilos que são enólogos.

 

Termo de origem francesa, sommelier indica um profissional responsável, via de regra, por ajudar os freqüentadores de restaurantes a escolher o vinho adequado ao prato escolhido ou vice-e-versa. Trata-se, antes de qualquer coisa, de um profundo conhecedor de vinho cuja principal função reside na harmonização enogastronômica e na orientação quanto ao serviço do vinho, usando seus conhecimentos, por exemplo, para que o estabelecimento sirva a bebida em condições ideais de temperatura e com taças adequadas a cada tipo de vinho. Também há sommeliers em supermercados e lojas especializadas. A profissão foi regulamentada no Brasil em 2011, mas a lei, depois de passar por alguns vetos (foram retiradas as normas que tornavam obrigatória certificação para se poder exercer a profissão), não resolveu muita coisa, pois qualquer pessoa, ainda que não tenha qualquer formação, pode, ao menos do ponto de vista legal, exercer tal mister.

 

Outro profissional ligado ao vinho, mesmo sendo pouco conhecido, consiste no ampelógrafo, que tem como incumbência a identificação das vinhas. Esse trabalho ligado à ampelografia mostra-se necessário, tendo em vista a infinidade de tipos de uva existentes no mundo. Um exemplo emblemático da atividade desses profissionais foi a constatação, no Chile, por volta de 1994, de que a uva carmenère (também conhecida como grand vidure), tida como extinta, estava plantada em meio à merlot, sem que tivesse sido identificado tal fato. Atualmente, a carmenère é considerada a uva símbolo do Chile. 

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