

Por Guilherme Lopes Mair
O título desta coluna soa um tanto dúbio, eu reconheço. Pode dar a entender que trata do tema de se beber vinhos nas salas de cinema - algo que virou fato há alguns anos, com as chamadas salas “VIP”, que contam com vinhos em taça e pipoca temperada com azeite trufado, que você consome em enormes poltronas reclináveis, que, de tão confortáveis, podem lhe levar a uma soneca em público.
No entanto, o tema abordado na coluna de hoje é outro.
Toda vez em que estou assistindo um filme e aparece uma garrafa de vinho, tento identificá-la. Isso pode soar esquisito ou fetichista para alguns.
Mas o fato é que não estou sozinho! Basta uma rápida busca pela internet para se encontrar diversos sites que trazem esse tipo de informação. Um deles é o Wine Searcher, que relaciona uma série de vinhos e seus respectivos filmes, incluindo que Michael Corleone bebeu um Bardolino na festa de primeira comunhão de seu filho, em “O Poderoso Chefão 2”.
E se você não prestou atenção nisso nos filmes (ou simplesmente nunca se interessou por isso), vão aqui alguns casos:
Chateau Margaux 1858 - Sherlock Holmes (2009)
Chateau Latour 1945 - O Sentido da Vida (Monty Python)
Chateau Latour 1961 - Ratatouille
Chateau Cheval Blanc 1947 - Ratatouille
Chateau Cheval Blanc 1961 - Sideways (Entre Umas e Outras)
Chateau Angelus - James Bond: Cassino Royale
Perrier Jouet Belle Epoque - O Mundo Perdido: Jurassic Park
Louis Jadot Macon-Villages - Homem de Ferro 3

Há até estudos acadêmicos com essa finalidade!
Raphael Schirmer, da Universidade de Bordeaux Montaigne, na França, publicou, na revista da AMERICAN ASSOCIATION OF WINE ECONOMISTS, um artigo inteiramente dedicado ao tema. Neste trabalho, ele pesquisou diversos aspectos ligados ao consumo do vinho em filmes, desde as regiões produtoras dos vinhos que aparecem em filmes até o número de vezes em que o vinho é consumido, comparativamente com outras bebidas alcoólicas. Também abordou a maneira como o vinho é contextualizado nessas obras, entre muitos outros aspectos. O trabalho completo está disponível, gratuitamente, no site da AAWE. Vale a pena a leitura!