Segunda, 06 de Julho de 2026
12°C 24°C
Cambará, PR
Publicidade

Crônica: Nasci no interior...

Assim como a música de Dino Franco e Mouraí.

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
10/09/2014 às 15h34
Crônica: Nasci no interior...

Crônica

Por Dani Moro*


 

 

Cambará.


Uma terra vermelha escura recoberta de verdes sob um sol fortíssimo, forte a ponto de deixar os verdes amarelados. O sol sempre em céu azul firme suave. Nunca achei azul celeste cor de céu e em Cambará não seria diferente. As nuvens brancas, muito brancas, brancas que quase chegam a azular. Gosto das nuvens de Calderari mas prefiro as de Cambará. Cambará tem noites de sino. Sino que toca de meia em meia hora para ajudar a contar o tempo que falta ou o tempo que foi… na verdade o sino toca o dia todo, mas é a noite que ele toca dentro do peito da gente.

Até meus 13 anos vivi no interior mas  nunca morei em Cambará, toda minha família materna viveu lá. Cambará me era sinônimo de férias.

Em uma casa espaçosa com direito a quintal, jardim e varandas; eu, meus irmãos e primos passávamos os dias. A casa do Vô Pedro e da Vó Iolanda ficava (fica) em uma rua de paralelepípedos (ainda escuto o barulho que os pneus dos carros faziam ao passar nos paralelepípedos) quase esquina com a Igreja Matriz. Viver perto da Igreja Matriz era bom para olhar as noivas antes de ir para o altar nos entardecer de sábado. O céu no entardecer de Cambará tem um laranja que avermelha como a terra. Se podia ficar na esquina vendo a noiva descer do carro e arrumar a saia do vestido, em um tempo que vestido de noiva tinha uma grande saia. 

Nos finais das tardes no meio da semana, após o banho tomado na tentativa de tirar o encardido da terra debaixo das unhas e cordão de sujeira do pescoço, meu avô Pedro costumava nos levar para ver o trem na beira da estrada próximo a pequena estação da cidade. Não só o passeio era o mesmo como era o mesmo o entusiasmo que ele nos contava que o trem ia para São Paulo. E que São Paulo era outro mundo, com lugares diferentes e pessoas inteligentes. Havia na fala dele uma distinção, um mérito, uma admiração que me fazia querer pertencer ao lugar ou ao reconhecimento dele, não tenho clareza… Lá não era melhor ou pior, mas o mundo era maior, era muito mais que jabuticabeiras, mangueiras, galinha assada, macarrão, maionese e tubaína. Não houve um dia se quer, que eu não quisesse estar em São Paulo para ser como os do trem!

Cheguei em São Paulo pela primeira vez com 18 anos. Fui de ônibus. Cheguei em uma manhã de sábado e de certa forma meu avô Pedro que havia morrido.. 6 anos antes, me esperava… Pensando agora, vejo que não me esperava mas que estava comigo durante todo tempo!

 

 

*Dani Moro,

É nascida em Cambará em 09/08/1971, na Santa Casa.

Diretora de Mercado do Grupo Educacional Opet.

Economista formada pela Fae - Curitiba, especializada em Gestão pela FDC - Minas Gerais,

Marketing estratégico pela ESPM e Psicologia Transpessoal pela Fac. Espirita.


 

Escreva para o Circulando sobre os 90 anos de Cambará. Envie material por e-mail [email protected] 

43 3532 4711

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Cambará, PR
17°
Tempo limpo
Mín. 12° Máx. 24°
17° Sensação
1.19 km/h Vento
80% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
07h01 Nascer do sol
17h47 Pôr do sol
Terça
24° 13°
Quarta
25° 11°
Quinta
26° 10°
Sexta
28° 13°
Sábado
28° 16°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,13 -0,75%
Euro
R$ 5,89 -0,33%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 348,123,00 +2,35%
Ibovespa
172,447,58 pts -0.93%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias