

Por Érika Gonçalves /Via Folha Web
Com tempo sobrando e mais dinheiro no bolso, não é novidade que os aposentados estão viajando cada vez mais. Alguns apenas fazem com mais liberdade aquilo que já curtiam fazer antes da aposentadoria. Outros estão descobrindo os prazeres de conhecer novas pessoas e novos lugares. E se engana quem pensa que a turma da chamada melhor idade só vai para resorts, destinos termais e outros lugares "tranquilos". Embora esses sejam destinos bastante procurados, há quem se aventure a conhecer países não muito tradicionais para nós, brasileiros, como Croácia, Lituânia e Estônia, na Europa.

Esse foi o caso da professora universitária Edina Panichi, de 62 anos, e seu esposo, o corretor de seguros Antônio Carlos Panichi, de 63, que voltaram recentemente da Rússia e países vizinhos. Eles contam que desde que se aposentaram fazem anualmente duas grandes viagens para fora do Brasil, uma em maio - sempre para a Europa - e outra em dezembro, para países da América do Sul ou América do Norte.
"Nossa prioridade são as viagens. Há quem prefira morar em condomínios luxuosos e ter um carro 'top', mas preferimos uma casa modesta e um carro mais simples para podermos viajar", explica Panichi.
Edina conta que a primeira viagem ao exterior foi para o Equador, por causa de um congresso na sua área de trabalho. O marido aproveitou para ir junto e assim tiveram início os carimbos no passaporte e a descoberta do prazer de conhecer lugares não muito comuns. Nessa época eles ainda viajavam "por conta", depois resolveram ter o auxílio de uma agência de viagens.
"Parecia que viajar por agência era uma coisa ruim, mas descobrimos que não. Viajamos sozinhos e nos juntamos ao grupo no destino. Compramos o pacote completo, inclusive com refeições incluídas", explica ela.
Panichi aponta que as operadoras conseguem negociar bons preços, o que permite que o casal se hospede em hotéis sabidamente mais caros, como o Hilton. "Além disso, fazemos amizade com pessoas de vários países e conhecemos lugares que não conheceríamos sozinhos. E temos dias livres, quando podemos fazer nossa própria programação." No roteiro do casal estão shows, museus e restaurantes. Compras ficam restritas aos souvenires, que ocupam lugar de destaque no escritório do casal.

Edina destaca como vantagens de viajar em grupo a segurança e a comodidade, caso haja algum problema. "Em uma de nossas viagens uma moça ficou sabendo da morte de um familiar no Brasil. Como pensar nas providências a serem tomadas num momento desses? A agência providencia tudo para você", destaca.
O casal conta que nunca viajou com um grupo específico para a terceira idade, mas acredita que estes devam oferecer um atendimento diferenciado. Também aponta que há 20 anos não viam tantos idosos viajando como agora. Depois de conhecerem todo o Brasil, praticamente toda a América Latina - faltam Bolívia e Venezuela - e a Europa - exceção para Bulgária e Romênia -, os próximos destinos devem ser Egito, Israel e Turquia. "A vida é muito curta para não viajar. Enquanto pudermos caminhar, vamos continuar", explica Panichi.
Edina, de 62 anos, e Antônio Carlos Panichi, de 63, conhecem boa parte do mundo e não pretendem parar: "A vida é muito curta para não viajar. Enquanto pudermos caminhar, vamos continuar".
Fotos: Rei Santos e Arquivo Pessoal