Segunda, 06 de Julho de 2026
12°C 24°C
Cambará, PR
Publicidade

“Eu sou palhaço por natureza” Eriel Barreiros

"Não faço os espetáculos com intenção de ganhar dinheiro, mas pelo prazer de levar esse tipo de arte para o público, esse é o meu ganho!” diz

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
23/11/2015 às 09h39 Atualizada em 23/11/2015 às 09h40
“Eu sou palhaço por natureza” Eriel Barreiros

 

 

 

Por Maristela Misquevis

Fotos: C.Roberto Francisquini


 

 

O programa de auditório apresentado mensalmente por Nhô ’Rié (Eriel Barreiros), no Espaço Cultural Nilza Furlan, de Cambará, consolida de vez o trabalho artístico proposto pelo artista, que é unir humor, cultura e arte de forma lúdica e atrativa, voltado ao público em geral.

Nesta entrevista concedida à Maristela Misquevis, Eriel conta aspectos de suas atividades artísticas e afirma que a arte está no seu DNA.

“Eu sou palhaço por natureza. Não faço os espetáculos com intenção de ganhar dinheiro, mas pelo prazer de levar esse tipo de arte para o público, esse é o meu ganho!”, conta, “a maior alegria para quem o faz teatro é ver uma casa cheia!”.

 

 Acompanhe os principais pontos da entrevista.

 

Circulandoaqui: Como o teatro passou a fazer parte da sua vida?

 

Eriel Barreiros: Lá por meados da década de 90, quando eu trabalhava no TRT-9ª Região, a recepcionista, que fazia teatro, me convidou para fazer uma entrevista com seu diretor, pois precisavam de uma pessoa para o papel de neurótico-hipocondríaco e ela me achou perfeito para isso. Acho que agradeci, mas até hoje não sei se deveria ter dado um sopapo nela (riso). Na época eu era tão magro quanto agora, mas usava bigode. De fato, para o que eles queriam, minha figura caiu muito bem (risos). Ensaiamos alguns meses e apresentamos “A Hipocondria no País da Mais-Valia”, no auditório do Hotel Rayon (Curitiba). Esqueci o nome do autor, mas o diretor era Gilberto Duarte. Foram apenas quatro apresentações, mas muito gratificantes, uma experiência excelente e um pessoal muito bacana! Uma comédia divertidíssima, quem sabe até invento de apresentá-la aqui, se achar o autor e ele me autorizar. Depois disso, fiz figuração numa peça em que só se falava francês, pois era promovida pelo Ça - Centre D’Études Françaises, onde eu havia estudado. Chamava-se “Beeff” e a mim cabia, exclusivamente, tocar “O Bife” num piano no canto do palco quando as cortinas se abrissem. Eu não podia falar nada, fazer nenhum outro barulho que não fosse a música e nem interferir na apresentação da peça. Mas consegui ficar quase uma hora tendo mil aventuras com o meu piano, sem dar bola ao que se passava no resto do palco e, ao final, aplaudiam mais o figurante que os atores principais! Foi uma palhaçada muito divertida! Na capital, parei por aí.

 

Circulandoaqui: Mas, em Cambará, voltou a encenar?

 

Eriel Barreiros: Sim, quando integramos o primeiro ano de atividades do Espaço Cultural, em 2008, sob a direção da Maria Léa Fragatte, apresentamos “Camelau”, também uma deliciosa comédia. Adorei meu papel e minhas colegas de trabalho, até porque foi quando conheci a Helena Cara e a Cláudia Silvério, que foram minhas parceiras muitas outras vezes. A partir de 2009, o professor de teatro foi o excelente Railthon Fávaro, jovem inteligentíssimo e com mil ideias, tão criativo nos textos quanto a Lea. Com ele fizemos muitos outros trabalhos, tanto pelo Espaço Cultural quanto em nosso grupo particular: “O Testamento de um Morto”, “O Casamento de Maria Feia”, “A Revolta dos Perus”, “Nos Tempos da Brilhantina”, “A Mudança de Genésio”, por exemplos. Olha, tivemos e ainda temos um público fiel e nossas apresentações sempre foram muito prestigiadas!

 

Circulandoaqui: Há diversos gêneros teatrais. Você se identifica melhor com a comédia?

 

Eriel Barreiros: A comédia tem mais integração com o público, que apresenta reação imediata à sua atuação. Apesar de eu me manter concentrado em palco, vestindo o personagem, o que me impede de perceber todas as reações, essa é uma das coisas mais legais do teatro: você fala algo, o público responde com gargalhadas. Mas em Curitiba, apesar de cômica a peça “A Hipocondria”, havia um momento em que eu dramatizava a perda da esposa amada e, inclusive, ao dizer palavras de comoção, chorava ao som da música de fundo. Não vejo problema algum, contudo, em fazer em trabalho dramático, uma ópera (isso eu gostaria!) ou projetos distintos. Por enquanto, fico na comédia, que tem dado certo e agradado aos dois lados... eu e o público! (risos)

 

Circulandoaqui: Acha que a arte poderia ser mais valorizada?

 

Eriel Barreiros: Todo segmento social tem suas deficiências. Poderíamos dizer, então, que a Educação também poderia ser mais valorizada. Ou qualquer outra atividade. A arte é valorizada pelos que gostam dela. Talvez o que falte seja a divulgação adequada (e sei que nisso somos falhos às vezes), a inserção de pessoas no processo criativo ou de atenção à arte. Chamando o público, ele vem. Vindo, ele gosta. Gostando, ele volta. A questão é descobrir em qual ponto está a falha e corrigi-la. Em nossa cidade há muita manifestação cultural e artística acontecendo; de muitas delas eu fico sabendo depois que ocorrem. Assim é com grande parcela da população.

 

Circulandoaqui: Que desafios enfrentou até hoje?

 

Eriel Barreiros: Um deles, como já apontado antes, é a divulgação certa dos eventos. Mas aos poucos vamos tentando resolver. Outro, que não é exclusividade das minhas atividades, mas em todo o mundo do teatro amador, é a falta de compromisso de seus integrantes. Hoje vai, amanhã, não.... Depois de meses de ensaio, começa a estudar e sai da peça, pondo o diretor a correr atrás de outro ator para começar do zero... Isso desgasta muito o ânimo do grupo. Há alguns desafios técnicos, como iluminação e som, que eu, como leigo total nesses assuntos, vou descobrindo aos poucos e tentando arrumar, com a ajuda de amigos do ramo. Se você assistiu ao primeiro “[email protected]ão” e ao que fizemos agora em outubro, percebeu a enorme diferença na qualidade do som! Fruto de pesquisas e investimentos próprios, mas sempre com apoio da direção do Espaço Cultural, que tenho no coração desde que nasceu.

 

Circulandoaqui: O que acha do público cambaraense? É participativo?

 

Eriel Barreiros: Veja que situação interessante: é menos participativo porque me conhece. Nhô ‘Rié esteve, mês passado, fazendo apresentação do “Sertanejo” no SESC. Lá, o público queria participar de tudo! Eu chamava três pessoas para cumprir uma prova, apareciam dez! Aqui, no nosso espetáculo, parece que têm medo, por me conhecerem, achando que vou explorar essa relação mais próxima e, eventualmente, ficarem constrangidos. Não acontece nada disso! O Nhô ‘Rié é rabugento com todo mundo. Se eu conheço ou não a pessoa, no palco ela tem o mesmo tratamento que as demais. Por isso, pessoal, vá lá assistir ao nosso programa, você vai se divertir bastante, ganhar brindes e sem se preocupar com nada!

 

]Circulandoaqui: Você faz arte pela arte ou poderia dizer que está no seu DNA?

 

Eriel Barreiros: Acho que é a mesma coisa. Eu sou palhaço por natureza. Não faço os espetáculos com intenção de ganhar dinheiro, mas pelo prazer de levar esse tipo de arte para o público, esse é o meu ganho! Por isso, às vezes lembro que todo o trabalho feito é só para a plateia. A maior alegria para quem o faz é ver uma casa cheia! Todo ator quer isso mais do que o valor do ingresso! Quanto ao DNA: deve ser de família, sim, pois para nós a expressão maior no ramo é meu primo Renato Papa, que faz muito sucesso no teatro; mas meu irmão Tomás e minha irmã Noara também se aventuraram nas artes cênicas com atuações elogiáveis!

 

Circulandoaqui: Qual a sua satisfação em atuar. Sente-se realizado depois de cada apresentação?

 

Eriel Barreiros: Bom, eu nem acho que estou atuando, pois ao “virar” o personagem eu não sou mais eu. Faço como se estivesse em casa, sendo o que o personagem tem que ser. É assim que procuro fazer, sem qualquer preocupação técnica, até porque a arte cênica que faço é amadora e eu nunca fiz escola ou oficina para isso. Agora... depois que acaba, sempre acho mil defeitos (risos). O que é bom, pois para o próximo eu vou tentando caprichar mais. Como puderam perceber, há dois erieis aí: o que diz que é o personagem e não se preocupa com nada e o que diz que precisa melhorar porque se preocupa com tudo (riso). Na falta de um diretor, eu tenho que ser ele e o ator...

 

Circulandoaqui: Nota-se nas entrelinhas dos seus textos uma mensagem. É possível falar de coisas sérias através da comédia, sem banalizar o assunto?

 

Eriel Barreiros: As pessoas confundem “sério” com “sisudo”. Você pode ser um palhaço sério (como eu) ou um palhaço sisudo, carrancudo. Ser engraçado não é deixar de ser sério, é deixar apenas de ser sisudo. E, sim, claro que você pode transmitir muita coisa por meio da comédia, até porque o texto engraçado parece fixar-se mais facilmente na cabeça do público. Em toda minha vida acadêmica procurei fazer apresentações de trabalhos em forma teatral: eram os únicos trabalhos ao qual a classe sempre emprestava total atenção, sem divagar, ficar lendo ou dormindo! Procuro usar esse recurso também em palestras que, eventualmente, faço.

 

Circulandoaqui: O seu programa começou na nossa cidade e já tem se expandido para outros municípios. Que projetos tem para o futuro?

Eriel Barreiros: Bem, não chega a tanto... Fizemos uma apresentação em Jacarezinho, a convite do SESC; por enquanto, só isso fora de Cambará. Num dos últimos eventos cobertos pelo “Circulandoaqui”, que foi a premiação do Agrinho no início deste mês, percebi que o representante do SENAR/PR demonstrou bastante interesse no programa, pois ficamos comentando o espetáculo alguns minutos, ele buscando informações diversas, perguntando onde tem vídeo ou fotos, etc. Seria um ótimo parceiro, também, pois o SENAR/PR é ligado ao meio rural (Serviço Nacional de Aprendizado Rural). Por falar nisso, não posso deixar de agradecer à SICREDI PARANAPANEMA e à PARANÁ NORTE o apoio imprescindível que têm nos dado nesse projeto. Graças a esses companheiros, podemos dar muito mais qualidade ao programa e agradar o público de forma eficiente!

 

Quanto a projetos futuros, confesso não estar pensando nisso. Hoje, quando o tempo já me fez correr mais devagar (ou andar mais depressa), me preocupo com a realização do projeto em curso. As oportunidades e convites que surgirem serão apreciados a seu tempo. O desenvolvimento ou a continuidade do projeto, que dependem de parcerias, também serão consequência do que conseguirmos. Mas, como muitos sabem, exerço diversas atividades na cidade, todas me tomando muito tempo, o que me deixa cada vez mais prazerosamente ligado à minha cidade. É aqui que vou continuar cumprindo minhas obrigações e buscando trazer um pouco mais de alegria, informação, cultura e aprendizado para os meus concidadãos. E, em contrapartida, também ter a alegria de receber esses companheiros em meu programa, pois é para eles que eu dedico todo esse trabalho, essa disposição, essa força. Pessoal, se vocês soubesse o trabalhão preparar sozinho o programa (cenário, bolar provas, preparar roteiro, convidar músico, convidar entrevistados, convidar escolas, divulgar, montar palco, luz e som - com a minha gratidão especial ao Sandro e à Nilza, do Espaço Cultural), eu tenho certeza de que vocês nunca perderiam um único “[email protected]ÃO”, o “pograma que une o campo ca cidade”!

 

O próximo é dia 24 de novembro, às 20h, no Espaço Cultural, entrada franca. Espero vocês lá!

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Cambará, PR
17°
Parcialmente nublado
Mín. 12° Máx. 24°
17° Sensação
0.9 km/h Vento
81% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
07h01 Nascer do sol
17h47 Pôr do sol
Terça
24° 13°
Quarta
25° 11°
Quinta
26° 10°
Sexta
28° 13°
Sábado
28° 16°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,13 +0,00%
Euro
R$ 5,89 -0,01%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 347,631,27 -0,37%
Ibovespa
172,447,58 pts -0.93%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias