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Coentro: um conselho de paz

Carlos Roberto Francisquini
Por: Carlos Roberto Francisquini
06/11/2019 às 16h56 Atualizada em 06/11/2019 às 17h56
Coentro: um conselho de paz

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Gabriela Papa


 

Ei você. Isso, você mesmo que estou falando. Você é da turma do coentro?

Sim, porque nesse tema não existe indiferença. Nunca conheci ninguém que fosse “indiferente” a coentro. Não é uma coisa que você se adapta a comer com o tempo ou vai criando o paladar. Não! Ou você ama ou você odeia! Simples assim. É como política hoje em dia. Ninguém pode ser indiferente ou será chamado de “isentão”.

                Mas voltando ao coentro...esse sim é um assunto sério, que divide opiniões, separa casais, causa briga nos bares e situações constrangedoras em restaurantes!

                Você com toda certeza já ouviu alguém comentar numa mesa de bar (ou outra qualquer) que “AMA COENTRO” – em letras garrafais – e, sempre, SEMPRE vai existir alguém nessa mesma conversa que vai dizer: “nossa, eu ODEIO coentro”, “como você pode gostar?”, “tem gosto de sabão”, “rouba o sabor da comida”, “parece perfume”, etc. etc. etc. (o etc. poderia ser substituído por um milhão de argumentos, mas vou poupar vocês do desgaste, meus queridos leitores).

                Essa conversa sempre segue por mais uma meia hora com um dos indivíduos tentando defender o uso dessa plantinha do demônio em tudo – comida, drinks (sim, pasmem, agora existem drinks com coentro!), chás, sabonetes naturebas, acepipes, e por aí vai – e o outro indivíduo fingindo ouvir e pensando “como é possível alguém gostar de algo tão ruim?” Essa sou eu!

Convenhamos que nenhum ingrediente, receita ou comida é mais polêmico que o coentro. Nem o chuchu, afinal todo mundo concorda que chuchu é sem graça e não merece o ódio de ninguém, né?

                Por falar em ódio, certa vez, um amigo meu estava na Bahia e pediu ao garçom uma moqueca, SEM COENTRO. Minutos depois a chefe brotou na mesa dele, tirando satisfações e gentilmente - só que não – explicou a ele que pedir uma moqueca sem coentro era uma ofensa às tradições seculares da Bahia. Conclusão: ele teve que comer com coentro e ainda pedir desculpas para chefe. Afinal, não se discute com baiano. Como dizem lá na Bahia, é barril!

                Depois dessa comecei a pensar mais seriamente sobre o assunto. Foi aí que me deparei com uma reportagem que piorou ainda mais essa questão. O título era: “Muita gente não tolera coentro. E não é só questão de gosto”. A reportagem dizia, basicamente, que pesquisas mostraram que há evidências fortes de que existe um componente hereditário para as reações de ódio e de amor ao coentro.

                Pronto, não havia pior jeito de saber que sou adotada! Batata!! Explico: em casa meu pai e minha mãe colocam coentro em tudo! Eles são da turma dos que amam. Por eles haveria todo dia na mesa um “coentreiro”, à moda do pimenteiro, sabe? (Ai se essa moda pega!) Assim, pelos meus cálculos, se a reportagem estiver certa, de duas uma: ou eu sofri uma mutação genética no caminho ou eu sou adotada, certeza!

                Eles passaram uma vida tentando fazer com que eu gostasse de coentro. A briga sempre foi certa! Mas não adianta, olha no que deu!

                Assim, aos amantes de coentro deixo aqui um conselho de paz: ninguém convence ninguém a gostar de coentro. É esquerda x direita! Brasil x Argentina! Ou você ama ou você para de encher o saco de quem não gosta! Simples assim...

 


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Gabriela Papa 

é advogada e cronista nas horas vagas. Apesar de estar sempre conectada,não dispensa um bom livro. É fã declarada de Mario Prata e dos anos 90. Gosta de ler bulas de remédio e detesta beterraba e coentro. Comentários: [email protected]

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